Guinness for Gore

St. Patrick's Day GREEN

Go to an Irish pub near you. (I'll be at the Irish Snug), donate the cost of your first pint of Guinness to the Al Gore 2008 Draft Campaign ($5.00 minimum). Have a great time, and take RTD home!

Erin go bragh!
-Keith Igoe


Location(s)

The Irish Snug
1201 East Colfax Avenue
Denver, CO, 80218
See map: Google Maps
Date:
Mar 16 2007 - 4:00pm - Mar 16 2007 - 9:00pm

Meio-Ambiente

Excelentissimo Senhor ex-vice-presidente dos Estados Unidos Dr. Algore:

Começo dizendo que sou apaixonado pela defesa da Natureza e do Meio Ambiente como um todo, pois aí está a salvação do nosso planeta.

E sou seu admirador pelas suas posições lúcidas, proféticas e corajosas. Tenho uma grande admiração também pelo político Al Gore. Tenho consciência como o mundo todo, que a sua primeira eleição para Presidente da República contra Bush, foi sem dúvida nenhuma fraudada. Como já dizia Napoleão Bonaparte, "o tempo é senhor da razão", e o tempo está mostrando se V. Exa. tivesse sido eleito Presidente dos Estados Unidos, a situação do nosso Planeta nas questões ambientais teriam avançado grandemente, pois quem domina hoje, ou seja, seus opositores, são medíocres e insensíveis às questões ambientais.

Tenho a honra de ser amigo e assessor parlamentar do Presidente da Comissão do Meio Ambiente do Senado, o Senador e ex-vice-presidente da República Fernando Collor de Mello.

Aproveito a oportunidade para mandar algumas idéias que enviei para o Senador.

Sou um grande admiridador do seu tio, o brilhante e maior intelectual vivo dos Estados Unidos, o escritor Gore Vidal.

Um grande abraço, esperando um dia ter a honra e a felicidade de conhecê-lo pessoalmente.

Mauricio Moreira.

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Idéias que poderão ser amadurecidas ao Exmo. Senhor Senador Presidente da Comissão do Meio Ambiente, Fernando Collor de Mello.

1. Criar um prêmio entregue pelo Senado e pela Presidência da República, anualmente, a ser divulgada em cadeia nacional, para que haja participação da sociedade como um todo. As empresas, indústrias, comércio, governos estaduais e municipais, e também a profissionais liberais, cientistas, intelectuais, políticos, escolas e universidades que mais contribuíram com idéias, trabalhos, efetivamente ligado à proteção do meio-ambiente como um todo.

Podemos citar como exemplo, a empresa de perfumaria “O Boticário”, que faz um belíssimo trabalho com a Fundação Boticário, comprando e conservando matas atlânticas.

2. Premiar essas empresas com um selo que possa ser identificado pela sociedade como amigas da natureza e do meio-ambiente como um todo.

3. Criar mecanismos eficazes de fiscalização que sejam competentes e ágeis para preservar o que sobrou das florestas nativas e mananciais como um todo.

4. Aproveitar, pois V. Exa., por obra do destino, foi anfitrião da maior reunião que trouxe para um país o maior número de presidentes e chefes de Estado que o mundo já assistiu, ou seja, a ECO 92, para trazer as atenções do mundo e principalmente dos países mais ricos, a exemplo dos E.U.A. e da União Européia para o Brasil, pois é certo que a opinião pública elegeu, dada a urgência de salvação do Planeta como a principal atenção deste tema, pois o Brasil não pode perder este momento histórico, pois se encontra aqui a maior floresta, rios e mananciais do mundo, sabendo-se hoje cientificamente, que a Amazônia efetivamente é o maior pulmão vivo do globo.

5. Levar essa discussão para a O.N.U., ou seja, o mundo como um todo, criando idéias efetivas que possam salvar principalmente a floresta amazônica, sem ferir a soberania nacional, e o país, tendo direito pleno a todos os minérios e riquezas do subsolo e de remédios que vierem a ser descobertos através das plantas e biodiversidades, levar aos chamados países de Primeiro Mundo uma proposta audaciosa que significará a independência econômica, financeira de nosso país, e ser investido isso efetivamente em educação, saúde, cultura, cidadania, justiça social e no Judiciário sério, competente, honesto, rápido, eficaz e justo, pois sem isso não existe uma Nação que se torne respeitada e levada a sério no mundo como um todo.

6. O preço disso seria o equivalente a todo ano, ao correspondente a 50% do que é hoje a dívida externa do país, pois sabemos que isso dividido aos chamados as seis maiores economias do Planeta, não representa nada, inclusive com a participação das maiores empresas, indústrias e bancos do mundo.

7. Autorização do país, sem jamais ferir a soberania nacional, a fiscalização da O.N.U., com tecnologia de ponta e tropas monitoradas por satélites, para evitar os incêndios que devastam anualmente de maneira assombrosa essa floresta, usando com isso o que há de mais moderno e avançado no mundo para sua efetiva proteção. Com isso, também evitaria no lado político o avanço visivelmente megalomaníaco, belicoso, intimidador, de um ditador que vem tentando dominar através dos seus lucros com suas maiores reservas de petróleo do mundo, tentando com isso dominar politicamente a América do Sul.

8. Sabendo que é preciso sensibilidade para que a Nação e o mundo interprete isso, positivamente para que haja soluções rápidas, pois já se sabe que a floresta amazônica a continuar a destruição nesse ritmo, em vinte anos será um imenso deserto, e o nosso país não ganhará nada com isso, perdendo assim por incompetência ou falta de iniciativa da sociedade como um todo, e dos seus governantes, o bonde da história.

Obs.: essas idéias logicamente poderão ser aprimoradas. Aproveito também para enviar a V. Exa., a coluna do nosso querido amigo e brilhante jornalista Sebastião Nery para sua apreciação.

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Obs.: aproveito a oportunidade para enviar alguns artigos meus que foram publicados na imprensa alagoana:

ROTEIRO:

Parar, parar não paro

Esquecer, esquecer não esqueço

Se caráter custa caro

Pago o preço.

Pago embora seja raro

Mas homem não tem avesso

e o peso da pedra eu comparo

À força do arremesso.

Um rio, só se for claro

Correr, sim, mas sem tropeço

Mas se tropeçar não paro

Não paro nem mereço.

E que ninguém me dê amparo

Nem me pergunte se padeço

Não sou nem serei avaro

Se caráter custa caro

Pago o preço.

Sidronio Muralha - “poeta português que viveu por algum tempo e faleceu em Curitiba”.

“O homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem, do que pode ter.” (J. P. Satre)

O milagre da ruas

Maurício Moreira*

“Ouçam as vozes das ruas”, bradou certa feita Danton, o maior tribuno da Revolução Francesa, dirigindo-se aos representantes da nobreza que formavam a Maioria nos Estados Gerais, o Parlamento pré-revolucionário, que teimavam em desconhecer os ruídos que ecoavam das vielas e das praças de Paris, na derradeira tentativa de manter seus privilégios abusivos, erro que em breve lhes custaria o poder e, em seguida, as cabeças.

Invariavelmente, os que estão sentados no alto têm dificuldade em ouvir o que ocorre abaixo. Desde sempre o poder tem entorpecido os sentidos e produzido miragens inebriantes. Dessa maldição ninguém escapou até hoje, salvo raríssimas exceções que só fazem confirmar a regra. Nem mesmo a democracia está protegida desse mal, pois é sabido que apesar desse regime de governo ser o melhor antídoto contra a degradação que o poder absoluto enseja, mesmo o poder filho da democracia não está imune (muito pelo contrário), à devastação de valores provocada pelo estiolamento moral que o poder, qualquer um deles, gera.

Qual será o mal do nosso tempo? O que perdemos e o que precisa ser recuperado no Brasil e em nossa Alagoas? Será que teremos a capacidade de perceber esses sinais ou nos deixaremos engolfar por nossa própria insensibilidade? O fato dos tempos serem outros nos sugere que não se repetirão mais as cenas dantescas que se seguiram à profética advertência de Danton, mas é possível que cabeças venham a rolar no panteão da moralidade pública, daqueles que deveriam praticá-la e se sonegam a esse dever. Dessa feita não arrancadas pela lâmina da guilhotina, mas por iniciativas de regulação social decorrentes de ações, cujos sinais já ecoam aqui e ali.

À memória me vêm ecos das décadas de 70 e 80, quando o antigo MDB congregava o ideário libertário do Brasil das ruas, reunindo homens e mulheres, uns jovens, outros maduros, na busca do País dos sonhos, da ética na política e da justiça social; ainda ressoam em meus ouvidos os passos daqueles caminhantes da restauração cívica e cidadã, os pequenos grupos convertidos depois em multidões, que tomaram ruas e praças para advertir o regime de que o povo abjurava a tutela autoritária e exigia o direito de regular a sua própria vida política.

Onde andarão homens como José Verner, o advogado da única causa que realmente importava naqueles tempos: a da solidariedade desinteressada e magnânima com os perseguidos militantes dos ideais democráticos? Onde estará Dilton Simões, o administrador competente e ético que legou a seus sucessores a Prefeitura de Maceió com os cofres abarrotados. Onde estará o espírito de Napoleão Moreira, meu pai, homem que nascido em meio à riqueza, se dedicou aos ideais políticos da igualdade e da justiça social.

Hoje, assistimos a líderes que trocam aliados históricos de conduta ilibada por esquemas de votos num lamaçal sem fim. Nessa ciranda só há lugar garantido para os mercadores de votos e os testas-de-ferro, serviçais sorridentes que se alimentam das sobras dos banquetes.

Será que perdemos a capacidade de ouvir os ruídos nas ruas ou estarão nossos sentidos entorpecidos pela algaravia dos mercadores de votos? Ou o brilho sonante do poder confere razão ao poeta e “ainda somos como nossos pais”? Fazemos igual ao que fizeram aqueles ídolos de pés-de-barro a quem tanto condenávamos, ou pior do que eles, por sermos mais “modernos”, pragmáticos e termos pressa em “recuperar o tempo perdido”.

Através da história, as ruas têm feito milagres. E as ruas aqui têm o sentido de uma grande metáfora. O ruído das ruas pode estar no discurso do desembargador Sapucaia, embora dele se possa dizer que contém algumas injustiças pelo pecado de generalizar. Sabemos que há homens íntegros no Judiciário. A experiência me fez acreditar na auto-regulação social: a sociedade que de tempos em tempos faz a sua purgação, lançando fora seus próprios excessos. É o milagre das ruas.

* É empresário.

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Opinião

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18/11/2006

Em nome do Pai

| Maurício Moreira *
“O mundo não está ameaçado pelos que praticam o mal, mas pelos que permitem que ele seja praticado.”
A frase, que exala genialidade, é de Einstein, e dispensa outras considerações, mas a li pela primeira vez ao folhear manuscritos herdados de meu pai, Napoleão Moreira, cuja vida foi precocemente ceifada por uma doença.
A vida é a escola. Isso me conduz de novo a meu pai que em suas inquietudes existenciais – que o fizeram um homem de seu tempo, além dos limites que o nascimento lhe impôs – um dia fez as malas e foi ver de perto a pátria do socialismo, a União Soviética, o ícone dos intelectuais do século passado.
E a um amigo, confidenciou sobre aquele gesto de quebrar um tabu – filho de usineiro atravessando a Cortina de Ferro no sentido contrário do que seria esperado dada sua condição de classe – bem a seu modo: “Vim fazer minhas universidades” – disse.
Era uma referência a Máximo Gorki, o escritor proletário que além de A Mãe, e dezenas de outros títulos marcantes da literatura revolucionária da época, contara suas andanças pela antiga Rússia numa autobiografia que apropriadamente chamara de Minhas Universidades.
Napoleão Moreira foi um homem moral. Explico: uma pessoa para quem a vida era uma questão de princípios. Nos tempos atuais, isso pode parecer supérfluo, mas não é.
O alcance temporal dos exemplos confirma a vida como a grande escola pela qual passamos. Embora a mais longa existência física seja curta diante do Tempo, é suficiente para distinguirmos o Bem do Mal.
A vida – e a experiência acumulada – nos fazem juízes de nós mesmos. E todos, juízes de todos.
De tal maneira que mesmo com apelo aos recursos do embuste com que muitos procuram esconder a verdadeira face – expondo à vista do público uma outra, maquiada, de falsas características, efetivamente ninguém engana a não ser a si mesmo.
É fato que o homem é seus pensamentos. Mas também é verdade que somos nossas ações. Corpo e alma são indissociáveis, não há como negar.
Se o pensamento é a matriz da conduta, as ações são a resultante e por elas seremos julgados.
Há quatro julgamentos pelos quais teremos que passar: das instituições temporais; dos nossos contemporâneos; do tempo; e de nossa consciência.
Aos dois primeiros podemos ludibriar, mas não aos dois últimos. E a consciência – essa que nos cobrará até na eternidade – é inescapável. Em nome do Pai.
(*) É empresário.

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11/05/2007

Em nome do pai e do filho (1)

| Maurício Moreira *
A família é a matriz da sociedade, daí porque considero que a injustiça mais contundente é aquela que ocorre no seio dessa célula primeira, de onde decorrem as outras ramificações da sociedade: um erro que parta dessa fonte, clamará por justiça, através de todas as gerações.
A minha vida teve muitas interferências e muitos revezes, também, é claro, momentos de felicidade. Nesse sentido, guardo, no fundo do meu coração, a mais doce lembrança que tenho da figura de mãe, que foi a minha avó paterna. Quando ela partiu para a eternidade (tinha 10 anos de idade) eu me senti órfão pela primeira vez.
No momento em que, por uma impossibilidade de convivência, meus pais se separaram, fiz minha primeira opção de menino: morar com meu pai. Nessa nova situação, uma irmã do meu pai (Tia Diva) passou a exercer a função de minha mãe, até o falecimento do meu pai. Por ocasião dessa irreparável perda, meu avô mandou me buscar para perto de si, e, pelo conhecimento que possuía da ligação profunda entre meu progenitor e eu, ele sentiu, fortemente, o peso do meu sofrimento. Naquele instante, olhando nos meus olhos, ele me disse: “De hoje diante, além de ser seu avô, serei também seu pai”. Na intensa dor que eu experimentava naquele momento – a maior que senti até então –, contei com o apoio da segurança que emanava daquele homem forte, que já dera reconhecidas provas da sua integridade de caráter e do seu amor por mim. Depois da morte do meu pai, a minha tia, Dilma Moreira Canuto (outra irmã do meu pai), passou a exercer o papel de minha mãe. Eu tinha então treze anos (1973) quando aconteceu, no Juizado de Menores, a audiência que determinou uma série de fatos, que vivencio até hoje. Tal fato ocorreu, porque eu havia feito opção por uma realidade diferente daquela que estava determinada para mim, desde o berço. Por essa escolha, pago até hoje. Nesse momento crucial, quando o dr. José Agnaldo (hoje, desembargador aposentado) atuou como Juiz, e proferiu a sentença justa, que tinha como objetivo a proteção de uma criança comum – eu – um simples filho de Deus.
Como órfão que fui, ainda muito criança, posso entender, hoje, como adulto, a profundidade daquele grito do Cristo, Filho de Deus feito Homem, por ocasião do seu martírio: Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? (Mateus, 27:46). Se Cristo, que é Filho de Deus, lançou esse terrível grito de socorro ao se considerar abandonado, que dizer de uma criança de doze anos, que se sentiu, mais de uma vez, numa condição de orfandade?
(*) É empresário.

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18/05/2007

Em nome do pai e do filho (2)

| Maurício Moreira *
Creio firmemente que, mais forte do que a ciência de Freud, que procura desvendar os recônditos da alma humana; do que a conquista da espada por Édipo, é a tirania que atinge a alma e a honra de pessoas inocentes.
Os autores de feitos hediondos dessa ordem pertencem, geralmente, às diversas formas de sociopatias, e vivem na impunidade, infestando a vida pública e política, onde agridem cidadãos decentes, através de artifícios escusos.
Tais indivíduos costumam ostentar a aparência de santos, mas, na verdade, são iguais aos que fizeram a “Santa” Inquisição, que condenou tantos inocentes à morte física.
Dizendo melhor, eles são piores do que esses antigos carrascos da igreja, porque conduzem suas vítimas à morte da alma, por força de injúrias. No entanto, meu pai e meus avós colocaram, no mais profundo do meu ser, que a verdade sempre vencerá, e eu acredito, firmemente, nesse ensinamento. Daí porque, apesar de tudo, persisto na luta pela verdade que levará à justiça, comungando com o sentimento do poeta Sidronio Muralha:
Parar, não paro
Esquecer, esquecer não esqueço
Se caráter custa caro
Pago o preço.
Nesses caminhos difíceis que fizeram parte do itinerário da minha vida, contei com uma pessoa importante, que teve muita influência muito positiva na minha vida. Trata-se do Desembargador Ederson de Melo Serra, que foi um grande amigo do meu pai.
Esse cidadão de bem, no momento em que a maldade buscou agredir-me em todas as dimensões em que um ser humano pode ser atingido, ele se colocou como meu pai espiritual.
Creio que por amor rompem-se os laços que nos prendem à maldade e somos transportados para bem longe dos sentimentos e interesses mesquinhos. Acredito naquilo que meu pai colocou na minha alma desde cedo: a verdade sempre vence. O próprio Cristo disse: “E conhecereis a verdade e verdade lhe libertará” (João, 8:32).
Daí porque, pessoas portadoras de princípios morais e éticos, nunca têm medo da verdade. Eu acredito, firmemente, na força dessa verdade que me foi ensinada por meu pai. Creio, em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
(*) É empresário.

Sebastião Nery

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24/03/2007

O quarto de despejo

RIO - Na véspera da posse, depois do golpe de 64, Castelo Branco pediu ao governador Ademar de Barros que indicasse o ministro da Agricultura. Ademar indicou um amigo. Castelo telefonou e convidou.
– Presidente, agradeço, mas antes tenho que consultar o governador.
– Não precisa consultar não, que agora já decidi convidar outro.
E bateu o telefone. Ademar indicou seu secretário da Agricultura, o agrônomo Oscar Thompson, Castelo nomeou e dois meses depois demitiu “por falta de unidade de pensamento”. E nomeou o paulista Hugo Leme. Em 65, Hugo Leme caiu e foi substituído pelo coronel paranaense Ney Braga.
Feito presidente, Costa e Silva convidou o prefeito de Curitiba Ivo Arzua para o BNH. Foi para Brasília tomar posse, mas foi vetado pelos construtores. O jeito foi Costa e Silva “rebaixá-lo” para o ministério da Agricultura. Arzua não entendia nada. Trancou-se uma semana na Copamar (Cooperativa Agrícola de Maringá), fez um curso intensivo e assumiu.

STEPHANES
O ministério da Agricultura sempre foi quarto de despejo dos governos no Brasil. O único ministro de que se tem notícia durando um governo inteiro foi o mineiro Alysson Paulinelli, que entrou e saiu com Geisel, cinco anos depois, e também por isso, foi o melhor ministro da Agricultura que o País teve.
Lula deu sorte na Agricultura. No primeiro governo, Roberto Rodrigues, excelente ministro. Agora, depois de vários agropicaretas, convidou um veterano e exemplar servidor público, Reinhold Stephanes (PMDB-PR).
Não é fácil, no Brasil, passar por quatro governos (diretor do Incra com Médici, do INPS com Geisel, ministro da Previdência com Collor e Fernando Henrique) e nunca ser acusado, sequer insinuado, de nada. Antes, professor, secretário da prefeitura de Curitiba e do governo do Paraná, deputado.
WALDIR
As agruras aero-infraéricas do inatacavel ministro da Defesa Waldir Pires chegaram esta semana à beira de um colapso da saúde. O presidente Lula convidou o ex-presidente José Sarney para substituir Waldir na Defesa.
Era um tiro no peito. Sarney, então presidente da República, foi um dos algozes do breve e fracassado governo de Waldir na Bahia, de 87 a 89.
ROYALTY
Desde que a Petrobrás nasceu, em 3 de outubro de 1953, começou a discussão: os donos das terras onde fossem descobertos petróleo ou gás teriam direito a royalty? O primeiro jurista importante a defender a tese foi Aliomar Baleeiro, professor, deputado da UDN pela Bahia e Guanabara, e ministro do Supremo Tribunal. Mas nunca conseguiu ver sua tese virar lei.
A Petrobrás alegava ser um patrimônio nacional, empresa publica com o monopólio da exploração do petróleo, e não podia ser sangrada distribuindo royalties por aí. E a tese não andava. Ninguém queria tocar na jóia da coroa.
Até que no começo dos anos 80, ainda no governo Figueiredo, a Petrobrás descobriu gás em terras do jovem empresário de Alagoas e militante do PMDB, Mauricio Moreira, que começou uma batalha pela imprensa e junto aos governos e políticos para transformar em lei o direito aos royalties.
PETROBRÁS
Ele tem DNA de ações publicas. O avô, o pai e ele, segundo Lula, são “heróis nacionais e mundiais”, vulgo usineiros, donos da Usina João de Deus. O avô, coronel José Otavio, amigo de Juscelino, foi candidato a senador em 1962 pelo PSD, contra Arnon de Mello, e perdeu. O pai, Napoleão Moreira, conheci em Moscou em 1957, heroi-usineiro e comunista.
Em 94, afinal, o deputado Betinho Rosado, do PFL do Rio Grande do Norte, apresentou projeto na Câmara, que não passou. Quando Fernando Henrique acabou com o monopólio da Petrobrás na exploração do petróleo, não havia mais a defesa da sacralidade. Depois de 98, o royalty foi aprovado. E o alagoano Renan Calheiros, ministro da Justiça, regulamentou a lei.
Agora, a Petrobrás se juntou à baiana Odebrecht e à paulista Ultra para comprarem a Ipiranga. Se a luta dos royalties não tivesse sido vitoriosa, centenas de grandes e pequenos proprietários de terras estariam sendo lesados com a doação de bens e direitos a dois riquíssimos impérios empresariais.
QUADRILHA
O indiciamento do presidente do PTB, Roberto Jefferson, pela Polícia Federal, por “formação de quadrilha”, exatamente no dia em que o ex-poderoso José Dirceu comemorava 61 anos numa bombada e milionária festa para mil pessoas, deixou aflitos os advogados e amigos de Dirceu.
Mais corrosiva do que a indiciação de Jefferson pela Polícia Federal, foi a do Procurador Geral da República, Fernando de Souza, acusando Dirceu de ser “o chefe da quadrilha”. Pode acabar na forca em Bagdad.


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